Crenças Limitantes: o que são e como transformá-las

Photo by Jake Ingle on Unsplash

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Todos temos crenças conscientes e inconscientes que podem ser positivas ou negativas.

Uma crença não está só relacionada à religião. Crença é tudo aquilo em que você acredita; são as suas verdades que, de alguma forma, dão ou não o aval para você fazer as escolhas na sua vida.

Dessa forma, suas crenças acabam criando a sua realidade.

Uma característica da crença é que ela generaliza uma situação. Por exemplo:

"Nenhum homem presta."

Esta é uma crença que generaliza um grupo de pessoas, como se todas tivessem o mesmo comportamento. Existem sim homens que "prestam", que são honestos, empáticos e éticos.

Mais um exemplo:

"Sou muito desastrada."

Essa é outra crença que generaliza um comportamento, dessa vez distorcendo sua auto-imagem. Com certeza, se você parar para pensar, vai se lembrar de várias vezes em que esteve muito focada e conseguiu ser habilidosa, meticulosa, centrada. 

 

Quando surgem as crenças

Até os 7 anos de idade toda criança é como uma "esponjinha", absorvendo tudo o que os adultos ensinam através das palavras e das atitudes. Sabemos que, às vezes, adultos falam uma coisa e fazem outra. As crianças estão observando e aprendendo com tudo.

Veja, o desenvolvimento da estrutura psicológica de um ser humano se finaliza por volta dos 7 anos (de acordo com Sigmund Freud). Estamos falando da estrutura da psique e não do desenvolvimento psicológico que abarca o amadurecimento e a expansão da consciência. Esse se dá em 7 níveis (de acordo com vários estudos, filosofias e disciplinas), e leva uma(s) vida inteira para se realizar...

Voltando a estrutura da psique: antes dos 7 anos estamos passando por várias situações novas que geram em nós emoções e pensamentos. Às vezes, essas situações podem parecer muito simples para um adulto, mas para uma criança se tornam muito complexas. Como a criança ainda não consegue enxergar e avaliar a situação por diversos ângulos, por perspectivas diferentes, ela cria uma crença generalizada sobre o ocorrido.

 

A Mansão...

É como se você estivesse dentro de um quarto fechado e acreditasse que só existe aquele quarto, quando na verdade, o quarto faz parte de uma mansão com dezenas de outros cômodos que você não consegue enxergar porque permanece dentro daquele único quarto.
Imagine que sua alma liga para o celular do seu ego, e diz:
- "Ei, vamos até a cozinha fazer um lanchinho"
- "Nossa, seria muito interessante, mas essa tal cozinha não existe. Só existe esse quarto onde eu sempre estive...", você responde. Mas a alma insiste:
- "Olhe para todas as paredes do quarto e em uma delas você vai encontrar uma porta. Abra a porta e você vai ver que existem vários outros cômodos, como a cozinha, varanda, sala de jogos, escritório..." E você responde:
- "Então, abra a porta para mim, já que você consegue vê-la."
"Só existe maçaneta do lado de dentro... fique em silêncio e ouça minhas coordenadas. Eu te ajudo a encontrar a porta", diz sua alma.

 

Como encontrar a porta (e transformar as crenças limitantes)

Em primeiro lugar é necessário descobrir quais são suas crenças limitantes.

Como eu disse no início, temos crenças conscientes e inconscientes. Você pode começar a trazer algumas crenças para a consciência a partir da observação, mas no caso das crenças inconscientes, geralmente só conseguimos chegar até um determinado nível sozinhos.

Minha experiência (tanto pessoal quanto das minhas cientes), é que chega um momento em que precisamos desse amigo de fora que nos ajuda a ouvir nossa alma dando as coordenadas que vão acessar as crenças inconscientes mais profundas.

No caso das crenças limitantes que estão mais próximas da superfície, você pode dar 3 passos em direção à transformação:

Passo 1. Observe o seu discurso:

Tudo o que você repetidamente fala sobre si mesma, sobre os outros, sobre as situações, são crenças. Comece a observar se o que você fala generaliza e restringe suas escolhas, ou se expande seu horizonte.

Estes são alguns exemplos de crenças limitantes que podem estar escancaradas através de frases que você diz a todo momento e talvez não perceba:

- Sou muito procrastinadora / Sou tão preguiçosa...

- Sou muito indecisa / Nunca consigo tirar minhas ideias do papel / Nunca termino nada...

- Não consigo fazer nada direito / Sou uma anta mesmo / Como sou burra...

- Ninguém me ajuda / Tenho que fazer tudo sozinha / Sou sozinha / Não preciso de ninguém...

- Não sei cobrar / Não consigo ganhar dinheiro / Não sou organizada com contas / Não gosto de burocracia...

- Por isso que o país não vai para frente / Tudo um bando de corrupto / É a crise...

- Estamos ai na luta / Estamos ai na correria / Estou batalhando para isso...

Estes são apenas alguns exemplos. A ideia é que você fique atenta a essas frases, anotando-as em algum lugar, para depois realizar o segundo passo:

2. Questione o seu discurso:

Olhe para cada uma das frases e questione! Isso é verdade em todos os momentos, em todas as situações com todas as pessoas?

Será que o Brasil está mesmo em crise? Não. Fazendo uma rápida pesquisa na internet você vai perceber que alguns setores são afetados pela crise enquanto outros crescem com ela, como o comércio eletrônico, por exemplo...

Será a vida precisa mesmo ser uma luta? Será que tudo que vem fácil, vai fácil? Qual é o tamanho do esforço que uma árvore realiza para crescer e florescer? Esforço zero. Ela está aberta às intempéries e não resiste nem luta contra elas. Acompanha os ventos, o sol, o solo, e... flui. Você é natureza. Já parou para pensar por que você acredita que só será reconhecida se resistir, lutar, se matar de trabalhar, viver resolvendo problemas? Quem disse isso para você? Quando você absorveu a crença de que se sua vida for equilibrada e você tiver tempo para relaxar, se divertir, criar, será menos valorizada? 

Questione cada crença, cada generalização. E siga para o terceiro passo:

Passo 3: Mude o seu discurso

Trazendo para a consciência as frases que te limitam e bloqueiam, e questionando a veracidade de cada uma delas, você começa a observar suas crenças por outros pontos de vista, e como disse Leonardo Boff:

"Um ponto de vista é apenas a vista de um ponto."

A partir disso, para cada frase, escreva outra que a contrapõe.

Exemplos:

Crença limitante: Eu não sei cobrar. > Nova crença: Eu posso aprender a cobrar.

Crença limitante: Sou muito indecisa. > Nova crença: tenho várias ideias e não preciso escolher apenas uma para realizar na vida. Posso realizar todas elas, uma de cada vez.

Crença limitante: Sou muito procrastinadora. > Nova crença: Eu tenho o direito de descansar.

Esses são apenas alguns exemplos. Depois de achar a nova crença que vai rebater a crença limitante antiga, você precisa estar atenta para realmente mudar o seu discurso. Cada vez que uma crença antiga se manifestar, esteja com a nova crença na ponta da língua! 

É interessante focar em uma crença por vez para que o trabalho seja mais efetivo. Depois que você conseguir fazer essa transformação com uma crença, conseguirá mais facilmente com outras, porque já terá a experiência.

Dê os passos e depois me conte como foi aqui nos comentários! =D

Jo Ludwig