Lapidando

Quero mudar mas tenho medo do novo

Self, CoragemJoana LudwigComment

Você pode até dizer que não tem medo do novo, que adora uma mudança e que é uma pessoa que lida bem com imprevistos.

Mas, pergunte-se honestamente: qual foi a última vez que você partiu em direção a algo totalmente questionável em sua

vida, algo que tirou você do lugar comum. Algo em que todas as pessoas disseram: "Imagina, onde já se viu uma coisa dessas! Você é louca!", de verdade?

Não estou dizendo que mudanças precisam ser sempre radicais ou da noite para o dia. Muito pelo contrário.

Estou perguntando quantas vezes você já travou seu fluxo, deixou de seguir um caminho ou fazer uma escolha, pois ficou imaginando as várias possibilidades de resultados que poderiam acontecer e acabou não falando o que gostaria, não seguindo o caminho que sua inspiração mostrava, pois todos os resultados que sua mente lhe mostrava tinham algum final difícil?

Quantas vezes você, verdadeiramente, já questionou suas crenças do que é certo e do que é errado? Quantas vezes você já questionou de onde vem sua hesitação para decidir entre dois caminhos?

Precisamos voltar no tempo e entender o caminho percorrido pelo ser humano para não entrar em extinção...

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Os 3 Cérebros

Tudo começou a mais de 200 mil anos atrás, com o nosso Cérebro Reptiliano, que ainda é responsável por nossos instintos básicos de optar por lutar ou fugir diante do perigo, que na época poderia ser um animal predador, por exemplo. Então, a decisão do que fazer teria que ser muito rápida para se manter vivo.

Com o passar do tempo, desenvolvemos duas novas capacidades principais através do Cérebro Límbico: ter memórias e ter emoções.

Esse foi um grande avanço, pois ao entrar na floresta e se deparar com um predador pode-se fugir, mas sem ter memória corre-se o risco de voltar no dia seguinte para o mesmo lugar e se deparar com o mesmo predador. A memória cria uma base de dados que sempre vai ser acessada para que o ser possa tomar decisões baseadas em fatos já ocorridos. Lembrando que nesse momento, essas decisões ainda não acontecem de forma racional. Uma informação importante é que a memória está interligada com as emoções.

Adendo: começamos com 5 emoções principais, que são: raiva, medo, tristeza, alegria e afeto. Com o passar do tempo essas emoções vão se misturando e criando milhares de outras emoções. Por isso, às vezes, uma emoção está ligada a um cheiro, uma imagem, uma palavra, um lugar...

Passado mais um tempo da nossa história, o Neocórtex vai sendo construido. É quando começamos a ter o raciocínio lógico, criando ligações entre acontecimentos de forma linear (1+1 = 2), e estratégica. Ao entrar na floresta e se deparar com o perigo, o ser pode voltar para sua tribo e pensar nas opções que teria: voltar no dia seguinte com uma arma própria, criar uma armadilha, procurar outro lugar para caçar, etc.

 

A Comparação

Ao criar uma memória conectada a uma emoção, vamos construindo a nossa base de dados.

Veja, algo acontece, temos um tipo de comportamento e dele surge um resultado. Se essa situação acontecer várias vezes, ou se da primeira vez que acontecer for muito carregada de emoção, nosso cérebro manda essa informação para a "base de dados", e sempre que uma situação parecida acontecer, memórias arquivadas são acessadas para que o cérebro busque exemplos para poder comparar comportamentos e resultados, e decidir como deve agir.

A busca sempre vai ser pelo comportamento que traga o melhor resultado, e o melhor resultado é aquele em que você consegue sobreviver no final! Essa sobrevivência pode estar na instância física, mas também está na sobrevivência emocional e mental. 

Agora, a pergunta mais importante a ser feita:

Você é a mesma pessoa que foi a 10 anos atrás?

Durante a vida inteira vamos passando por um desenvolvimento psicológico, amadurecendo, transcendendo. A vida é mudança. A vida é movimento. O que estagna, pára, acaba morrendo. A todo momento vamos lidando com novidades, e se tentamos permanecer por muito tempo numa zona de conforto onde tudo já é conhecido, acabamos sendo arrancados a força de lá, através de uma ruptura, ou seja, algo tão novo, tão inesperado, que não conseguimos mais nos manter no mesmo lugar, mesmo que quisessemos.

Se tudo é diferente a todo momento e se a vida é movimento, por que você continua se baseando em acontecimentos do passado para criar cenários para o futuro?

Nossa criação limitada nos diz o que é certo e o que é errado, mas quantas visões novas do mundo se abriram nas últimas décadas? Antes de 1932 a mulher não tinha direito a votar, o que quer dizer que antes disso o certo para a maioria era que apenas os homens tinham capacidade para escolher... o.O 

Não estou dizendo que você deve sair hoje mesmo correndo da sua casa, deixando tudo para trás no trabalho, etc. Você até pode fazer isso se quiser! (risos) 

O que estou dizendo é que o primeiro passo para escolher entre as opções que se apresentam e agir a partir de uma harmonia interna é começar a questionar as suas crenças. Questionar o certo e o errado. Questionar de onde vem a sua ideia de melhor ou pior...

Ex: "Tenho medo de não conseguir me sustentar." Questione de onde vem a crença de que você não tem capacidade para ser auto-suficiente.

Ex: "Tenho medo das pessoas não aceitarem a minha escolha." Questione de onde vem a crença de que você só será aceita se fizer o que os outros querem. De onde vem a crença de que você não pode ser você mesma. De onde vem a crença de que a aceitação dos outros é mais importante do que a sua. 

Ex: "Tenho medo da falta de reconhecimento." Questione de onde vem a crença de que os outros são melhores ou piores que você.

Questione de onde vem o seu medo. Ao fazer isso, pode ser que você perceba que ele vem de uma base de dados ultrapassada. Limpe os arquivos que já estão desatualizados. E faça isso com carinho e com respeito ao seu tempo. 

Bjs.

Jo Ludwig